Split payment muda fluxo de caixa das empresas com a reforma tributária

Novo modelo de recolhimento de tributos exigirá mais planejamento financeiro e atenção ao capital de giro durante a transição para o novo sistema tributário

A reforma tributária trará mudanças importantes para a gestão financeira das empresas brasileiras. Entre elas está o split payment, mecanismo que prevê a retenção automática dos tributos no momento da liquidação das operações. Embora não altere a carga tributária, a medida reduzirá o volume de recursos que transitam temporariamente pelo caixa das empresas.

Como funciona o split payment

Previsto na regulamentação da reforma tributária, o split payment, ou pagamento dividido, determina que a parcela referente ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) seja direcionada automaticamente ao sistema de arrecadação. Dessa forma, a empresa recebe apenas o valor líquido da operação.
O modelo busca reduzir a inadimplência tributária, aumentar a eficiência da arrecadação e simplificar os processos de fiscalização.

Impactos no fluxo de caixa

No sistema atual, o valor total da venda entra no caixa da empresa e os tributos são recolhidos posteriormente. Esse intervalo permite que os recursos sejam utilizados temporariamente para financiar operações, adquirir estoques, pagar fornecedores ou cobrir despesas do negócio.
Com o split payment, parte desse montante será automaticamente destinada ao pagamento dos tributos, reduzindo a liquidez disponível para as operações diárias. Em uma venda de R$ 100 mil, por exemplo, uma parcela correspondente aos tributos poderá ser retida imediatamente, diminuindo o valor que ingressa no caixa da empresa.

Adaptação começa agora

Embora 2026 seja considerado um período de adaptação e testes, os efeitos mais significativos devem ser sentidos a partir de 2027, quando IBS e CBS começarão a substituir gradualmente os tributos atuais. Nesse período, empresas precisarão revisar sistemas, processos internos e rotinas das áreas fiscal, financeira e contábil.

Atenção ao capital de giro

Empresas que utilizam parte dos recursos destinados aos tributos como apoio ao capital de giro deverão reavaliar seu planejamento financeiro. Dependendo do porte da operação e da carga tributária incidente, poderá haver maior necessidade de capital próprio, antecipação de recebíveis ou contratação de crédito de curto prazo.
Setores que operam com margens mais reduzidas ou ciclos financeiros mais longos, como indústria, construção civil, distribuição e varejo, tendem a sentir os efeitos de forma mais intensa.

Controle tributário ganha relevância

Outro ponto de atenção será a gestão dos créditos tributários de IBS e CBS. Especialistas destacam a importância de fortalecer controles relacionados à escrituração fiscal, documentos eletrônicos, cadastro de fornecedores e conciliações tributárias para evitar perdas financeiras e garantir o correto aproveitamento dos créditos.
Diante desse cenário, a recomendação é que as empresas iniciem desde já a revisão de projeções financeiras, adequação de sistemas e integração entre áreas, preparando-se para uma das mudanças mais relevantes da reforma tributária sob a perspectiva da gestão do caixa.

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